A décima arte?

to the moon

Perto da morte, o velho Johnny tem apenas um sonho: ir para lua. É o seu desejo de cumprir uma promessa feita a um grande amor. Então, no fim de sua vida, começa a procurar desesperadamente uma solução impossível para resolver seu problema.

Chegando de muito longe, a doutora Rosalene e o doutor Watts são cientistas brilhantes que podem ajudar Johnny a realizar seu desejo final. O problema: eles podem fazê-lo chegar à lua apenas dentro de seus sonhos. Mas isso não impede que o velho contrate-os e, navegando por suas memórias mais antigas, a dupla vai revelando pouco a pouco os detalhes do mistério por trás de um desejo tão exótico.

Esse resumo grosseiro é a história de um jogo de computador. Poderia estar em um romance, ou até mesmo em um filme. Devido a belas histórias como essa, os jogos eletrônicos, videogames, ou apenas games, viraram objeto de discussão. Seriam também considerados uma forma de arte? Ou não?

O crítico de arte Jonathan Jones do jornal britânico “The Guardian” afirma que não. Para ele, “um jogo proporciona prazer e liberdade. A arte também faz isso, mas de uma forma diferente”. Contudo, se levarmos em consideração que a arte é uma forma de conversar com as pessoas, de expressar um sentimento, então, muitos jogos podem se enquadrar nessa categoria.

A resposta que tenho para críticos que desconsideram o jogo como arte encontra-se na própria extensão do universo dos games. Muitos conhecem os que são comumente apresentados pela mídia. Os grandes títulos que visam em especial o entretenimento. Jogos de esporte e de ação são os mais comuns a se enquadrarem nessa categoria. Call of Duty, Battlefield, PES (Pro Evolution Soccer), FIFA, Winning Eleven e Halo. Se você tem um mínimo de contato com esse mundo, então com certeza já ouviu falar deles. São jogos de high budget, considerados triple A (AAA), títulos milionários, desenvolvidos por grandes empresas.

Contudo, assim como em qualquer área, existem produtores independentes. Os chamados indie games (ou jogos independentes), em sua grande maioria oferecem diversão, mas com algo íntimo a ser contado.

Poderia citar diversos títulos que procuram contar uma história transmitindo os sentimentos de alguém, como por exemplo “That Dragon, Cancer”. O jogo é sobre como um casal cria seu filho de apenas um ano, diagnosticado com câncer terminal. É, na verdade, a história pessoal de Ryan e Amy Green, que contam suas experiências da maneira que sabem: através de um game. O título ainda não foi lançado, está em desenvolvimento, mas o filho do casal, Joel, veio a falecer durante o processo de produção, o que não fez a equipe desistir do projeto. Pelo contrário, eles querem contar essa história.

that-dragon-cancer

That Dragon, Cancer

Outro jogo, “The Graveyard”, é uma produção independente em que a finalidade é expressar sentimentos e reflexões. Uma senhora de idade passeia pelo cemitério nos últimos momentos de vida, então relembra acontecimentos passados, ao som de uma trilha sensacional e bons gráficos.

Mas uma boa história não precisa ser narrada necessariamente por jogos independentes. “Valiant Hearts” é um título lançado pela grande produtora Ubisoft. A história gira em torno de diversos personagens durante a Primeira Guerra Mundial, mostrando famílias que foram destruídas e as amizades cultivadas durante o conflito. O jogo é uma peça de ficção em estilo cartoon, porém, houve na produção um cuidado especial com os eventos históricos, lugares e, em particular, as cartas trocadas. Membros da equipe, inclusive, conversaram com familiares dos soldados da Primeira Guerra. Tudo isso para narrar uma grande história.

E não são apenas de histórias que são feitos os jogos. As artes visuais e arquitetônicas são bastante utilizadas para a criação dos cenários. Traçados artísticos como os de um pincel, por exemplo, vemos em jogos como Okami, arquiteturas fantásticas e impossíveis se encontram em títulos da série Final Fantasy, Mass Effect ou Enslaved. São infinitos os cenários surreais nos jogos.

Acredito que o jogo pode, sim, ser arte. Uma forma de expressão que reúne diversas outras. Independente do debate que acontece ainda hoje – e que talvez nunca deixe de acontecer – os games, mais do que apenas uma forma de entretenimento, também são uma forma de expressar sentimentos, de contar uma boa história e que, muitas vezes, atingem a sensibilidade do público em cheio. Porém, diferente de apenas nos deixar observar, nos deixam viver uma nova “realidade”, tornando-se, assim, uma forma artística ainda mais expressiva.

Se você ficou curioso e quer saber de qual jogo é o resumo que mencionei no começo desse artigo, o título é “To the Moon”.

(Felipe Massahiro)

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