5 doses de noir rural

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Os franceses alcunharam o gênero literatura noir: literatura negra. Ela apareceu nos Estados Unidos nos anos 1940, ao final da Grande Depressão e início dos Anos Dourados. As histórias ocorrem em ambientes urbanos envolvendo personagens como policiais corruptos, prostitutas de luxo, figurões sem escrúpulos, detetives miseráveis e bandidos de toda espécie.

Apesar da maioria destes romances e contos passarem-se nas metrópoles, alguns fugiam à regra e apresentavam cenários e tipos rurais, gerando o controverso subgênero noir caipira, combatido pelos próprios ficcionistas que o criaram. Ele existe desde o século 19, com sombrias histórias passadas no campo. Um de seus livros pioneiros é de 1827, “The Rifle”, escrito por William Leggett.

Entrar de cabeça no mundo do noir caipira é conhecer grandes tramas com personagens realistas e incomuns. Uma lista com bons títulos disponíveis em português começaria com…

O Destino Bate à sua Porta – James M Cain

O livro de James M Cain foi lançado em 1934. Os norte-americanos ficaram horrorizados com a obra e acusaram o escritor de imoral. O título foi proibido em algumas cidades. O que deve ter incomodado a sociedade daquele período foram características como a violência e erotismo típicos do noir. O romance começa com a frase: “Eles me atacaram para fora do caminhão de feno ao meio-dia”. Então você pensa, quem é esse cara que está viajando na traseira de um caminhão de feno? Quem foi que o jogou para fora? Na verdade, esse protagonista é um vadio de beira de estrada que conhece uma mulher casada. O marido dela é um empecilho para o relacionamento. Seria isso pouco para que lhe tirassem a vida? Com um texto rápido, caracterização precisa dos personagens e uma trama sensacional, esse é um dos principais livros do noir caipira. Um triângulo amoroso entre miseráveis de uma pequena cidade da Califórnia.

Contos Completos – Flannery O’Connor

A escritora nasceu em 1925 e o ambiente rural da Geórgia, no sul dos EUA, foi de grande influência em sua ficção. Foi ali que ela viveu seus rápidos 39 anos e desenvolveu contos e romances. Em uma realidade violenta e marcada pelo racismo e a intolerância religiosa, a autora criou personagens marcantes como “The Misfit”, um assassino solitário que assombra o conto “A Good Man is Hard to Find”, uma das principais obras do noir caipira, que mistura violência e penumbra, deixando o leitor desequilibrado e tornando a leitura inesquecível. Nem todos os contos da escritora podem ser considerados noir, mas o trabalho de O’Connor deu o tom do subgênero e contribuiu bastante para o seu DNA.

A Cor Púrpura – Alice Walker

Através de Ceelie, uma personagem negra e semi-analfabeta do sul dos EUA durante a década de 1930, o livro traz à tona uma característica importante: a voz familiar e estranha da protagonista e o seu dialeto local. Apesar de não ser um noir, a Cor Púrpura mostra, através de cartas, toda a violência, pobreza e desespero daquele período e região. O livro acompanha por mais de 30 anos a protagonista, que passa a vida dedicando-se à família e planejando um futuro melhor para sua irmã, Nettie.

Cadillac K.K.K – James Lee Burke

Quando se fala em mistério, ninguém chega aos pés de James Lee Burke. Com uma história que se passa na Louisiana do blues, muito charme lírico, ambientes com ótima caracterização e o grande universo interno dos personagens, o livro “Cadillac K.K.K” apresenta uma trama a ser investigada pelo detetive David Robicheaux, presente em diversos trabalhos do escritor. O protagonista envolve-se com um arquétipo da cultura white-trash (lixo branco) daquela parte dos EUA: Aaron Crown, homem ligado à Klu-Klux-Klan que comete pequenos delitos e caça o próprio almoço.

Ossos do Inverno – Daniel Woodrell

Uma garota de 16 anos, Ree Dolly, tenta salvar sua família entre os vales estéreis dos Ozarks. O pai de Ree, preso por envolver-se com um laboratório de metanfetamina, acaba fugindo durante o período de liberdade provisória, deixando a menina e seus irmãos em uma situação de desespero: podem perder a casa se ele não comparecer à próxima audiência. Perdida na procura do pai, a protagonista acaba por descobrir profundas questões a seu respeito e de sua família. O ponto alto desta narrativa é o relacionamento de fé quase cega entre o clã dos Dolly, além da força e da brutalidade com que foi escrita.

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