A problemática das sativanas Brasil

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A maioria das pessoas acredita que as sativanas Brasil devam ser retiradas do convívio civilizado. Analiso esse pensamento como retrógrado. As sativanas são importantes para a pluralidade cultural e são cruciais para o equilíbrio do meio ambiente, pois se alimentam de flores, folhagens e cogumelos. Com isso, são guardiãs da saúde pública e mantenedoras da sanidade da coletividade, pois estudos indicam que – ao exterminarem com voracidade certos fungos, folhas e flores – evitam endemias, pandemias e moléstias alucinógenas para o cérebro do cidadão comum.

Há outra corrente que destrata as sativanas Brasil simplesmente por as julgarem assombrosas e fedidas. Coloco-me novamente contrário a esta crítica, visto que as sativanas brilham em período noturno, indicando a forasteiros o caminho a seguir em matas e descampados. Sua coloração – solitária no breu – já foi relatada em tonalidades diversas, geralmente branca ou de um azul esfuziante. Algumas sativanas – durante o dia – apresentam na pele ilustrações de capricho que parecem ter saído de ateliês de  renomados artistas.

A maior de suas qualidades é a adaptação em qualquer ambiente, que é algo que as eleva em relação a outras espécies. Tudo é abrigo para as sativanas Brasil: cavernas, poças d’água, lagoas, árvores, lan houses, bibliotecas públicas e terminais rodoviários. Pode ser que o clima seja frio ou escaldante, elas demonstram a capacidade de manter e zelar pelo seu habitat.

Para sobreviver – visto que atualmente a escassez natural é uma obviedade – representam técnica milenar de construir objetos com raízes, folhas, galhos, cascas de madeira, frutos e sementes. Fabricam fitinhas, pulseiras, colares, brincos, anéis, pequenas estátuas, lembrancinhas, grande variedade de chapéus e artesanato diverso. Por muitas vezes, são alvo fácil da Força Pública, que insiste em desacatá-las com apreensões. Um de meus conhecidos, integrante da Rádio Patrulha, alegou que as sativanas Brasil são uma ofensa ao bom funcionamento do comércio e à obtenção regular de taxas.

Como técnica para saírem ilesas perante os representantes da lei, as sativanas utilizam um alongado gorro que, ao ser colocado na cabeça, desce na direção das canelas e faz com que o seu utilizador desapareça aos olhos humanos. Há relatos de soldados que passaram horas a rondar uma tenda sem conseguir encontrar sativanas, tamanho o poder da ilusão. Outras conseguem se salvar fazendo um ritual macarrônico e utilizado por seus ancestrais. No perigo, despencam no chão como se estivessem mortas, causando burburinho e evitando assim sua apreensão.

Um exercício interessante é observar o ritual realizado pelas sativanas na construção dos objetos que são o seu “ganha-pão”. Elas passam o dia remendando panos, alinhavando materiais maleáveis em criações. Estive em Piracicaba, cidade do interior de São Paulo. Lá, junto a um nativo, passei a ver com frequência – ao final da tarde – como as sativanas têm habilidade de construir materiais de que a simetria até mesmo um matemático poderia duvidar. E o fazem diariamente, com a mesma intensidade, destreza e formas perfeitas, causando o espanto tanto dos moradores locais como de estrangeiros.

Devido a estas características, tornaram-se objeto de estudo de sativólogos. M. HERBS foi um dos pioneiros na análise dos espécimes. Sua pesquisa foi desenvolvida através de fotografias de materiais desenvolvidos pelas sativanas. Com o auxílio de uma equipe de cientistas, HERBS mediu e catalogou os tipos de objetos feitos pelas sativanas. Logo vieram as conclusões: um sativólogo tornou-se capaz de classificar a subespécie de sativana de acordo com o tipo de técnica empregada na produção.

Nossa experiência teve início com a coleta de algumas espécies. Apanhar as sativanas não foi difícil, como imaginávamos. Colocamos em galhos altos alguns recipientes cheios de papel de seda e ervas de uso medicinal. Ao cair da tarde, víamos as mais brilhantes – as já citadas amarelas e azuis – saírem de seus esconderijos e pularem repetidas vezes na tentativa de pegar os objetos. Assim que chegavam ao ponto mais alto do salto – muitas vezes conseguindo o objetivo – nós as pegávamos na queda, abocanhando-as com grandes tubos de plástico.

Na manhã seguinte, todas amanheceram em cubículos especialmente preparados por nós, com materiais para que trabalhassem. De início, nada era feito, ficavam entediadas, jogadas em cantos a respirar fundo, por vezes dormiam; por vezes entoavam cânticos que nos assustavam. Foi quando Chali Granel, um de nossos mais experientes cientistas, disse-nos: “para que o experimento funcione, devemos fornecer para as sativaninhas algumas substâncias”.

Começamos com grãos de café. No começo, nada tinha mudado. Porém, após cerca de duas horas, elas corresponderam. Esqueceram completamente a noção de proporção entre as partes, que antes eram tão simétricas. Passaram a valorizar a produção de peças pequenas, iguais, em grande quantidade. Todas trabalhavam mecanicamente e com atenção redobrada. Por outro lado, viviam queixando-se durante o processo. Ao final de um dia, demonstravam tiques nervosos nos olhos e mandíbulas e empilharam as peças em um canto das cabines. Quando o efeito passou, caíram em um sono profundo que durou seis dias.

A segunda experiência foi realizada com a manutenção de ácido lisérgico. Os materiais produzidos eram muito diferentes! As sativanas não reclamaram em um momento sequer, nos presenteavam com produtos de extrema qualidade, cores que nossos olhos jamais puderam enxergar; formas, tamanhos, texturas e funções fora do comum.

Logo após a publicação de nossos estudos, a comunidade científica – principalmente no que concerne aos especialistas em patologias da mente – voltou sua atenção para as sativanas. Começaram a expandir os horizontes do estudo, testando nos espécimes mais de 300 substâncias com diferentes objetivos. Atualmente, toda a pesquisa proveniente das sativanas Brasil é de grande ajuda no tratamento da esquizofrenia.

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