As jaburanhas experimentais

jabu

As jaburanhas experimentais são perigosas. A maior parte é encontrada ao redor da Patagônia e na região do Mar Vermelho. Todos os anos, cerca de 20.000 pessoas sofrem ataques e aproximadamente 8.000 morrem em decorrência do veneno letal dessas criaturas. Isso porque as jaburanhas dificilmente passam dos cinquenta centímetros. Com braços robustos e pernas de extrema agilidade, apresentam manchas avermelhadas em formato triangular no ventre. Algumas possuem pelos visíveis, outras não. Onde uma delas aparece, geralmente há centenas. Podem viver tanto em regiões urbanas como litorâneas.

Xenari Ruiz, entre 938-10 a.C., deixou para a posteridade alguns dos horrores causados pelas jaburanhas experimentais: “essas pequenas e organizadas guerrilheiras destruíram o exército de Germano, ‘O Calabresa’, onde certo número de mutilados mesclava-se à lama quente para se camuflar e resistir às invasões. Não satisfeitas com a eliminação dos exércitos, caíram também sobre tipos mais comuns: 278 açougueiros, 173 marreteiros, 48 vaqueiros e cinco pastores.

Na República Checa há regiões muito úmidas onde cidadãos relatam ataques. Calov Calotev, taberneiro e fabricante de cevada, afirmou-nos que, em um primeiro momento, as jaburanhas penetram duas mini-adagas pelas costas da vítima. Então, nenhum tipo de anomalia visível ocorre. “A dor é intensa, lancinante, faz a vítima gritar loucamente”, disse. Após a ação do veneno contido à ponta das lâminas, começa uma sessão de delírios horrorosos, a vítima experimenta de intranquilas perturbações da mente, sofrendo impressionantes insensatezes, cansaço, transpiração. No último estágio, apresenta reflexos maquinais que a levam a caminhar como um quadrúpede e sonorizar como um ganso.

As primeiras jaburanhas experimentais de que se tem notícia no Brasil datam de 1930. Luigi Tozzi, já naquele período, compilou uma série de relatos de alguns populares que – devido à falta de tratamento adequado – eram obrigados a entrar em fornos de pizza para que suassem como loucos no intuito da eliminação do poderoso veneno. Em casos mais graves, era administrada nessas pessoas uma dose de ópio e aguardente. Posteriormente, os adoentados eram colocados para dançar em balcões de bar, promovendo diversão na cidade. Tendo isso em vista, nota-se que este grupo das jaburanhas era, notavelmente, o mais venenoso daquele período.

O território brasileiro apresenta dois tipos de jaburanhas. A menos comum é cinzenta e com muitas bolinhas esverdeadas. Esta, felizmente, é pouco perigosa. Porém, há a J.Tacmans – mencionada anteriormente – com manchas vermelhas no ventre e que em terras nacionais vive a entoar o hino do Flamengo por onde passa. Tipos como esse já foram mencionados no Estado do Rio de Janeiro, de Saquarema às praias de Itaipu.

Acredita-se que as jaburanhas experimentais tenham estabelecido-se na região praiana em virtude de terem desprendido-se de grandes colônias existentes em navios abandonados no porto de Guanabara. Um marinheiro, ferido seriamente por uma, fora hospitalizado. O homem não foi capaz de suportar o baque e logo os nativos relataram que um senhor de cerca de um metro e noventa, bigode e botas de couro, andava de quatro por aquela região enquanto emitia sons de aves. Fora apelidado pelos regionais como Pato Bobo.

Demos início à “Manobra-Jaburanha” e fomos na direção de Itaipu. Minha turma de pesquisadores nunca tinha visto uma criatura vivinha-da-silva e, por esta razão, ordenei: “não fiquem correndo a esmo atrás destas jaburanhas!”. Depois de meia hora achei a primeira jaburanha: tamanho mediano, abdômen cilíndrico, preto, com borrões vermelhos, perninhas polidas e peludas. Ela repousava imóvel em uma cadeira de praia, com o ventre para cima e deixava-se admirar à vontade de perto. Segurando um tubo de ensaio com aguardente, abri uma rede de pesca entre os braços e estendi no chão. Coloquei o tubo enfiado na areia, no centro da rede. Completamente passiva, a jaburanha caminhou até a armadilha. Assim que ela sentou e virou a dose, dei um cambalhota e fiz com que ficasse presa nas redes.

Com a ajuda do pessoal, arrastei a jaburanha experimental capturada até uma pitoresca prainha. A jaburanha – que costumeiramente metia grande alvoroço nas populações de Niterói e da capital fluminense – não causava grande apreensão nos habitantes desta praia ainda bruta. Dentro de um botequim da região observamos em uma enorme placa de madeira a ilustração de uma jaburanha abraçada a uma garrafa de aguardente, no rótulo da qual se lia a frase: “Mais forte do que a jaburanha!”. Depois de uma partida de sinuca, na qual aplicamos de forma efetiva os nossos conhecimentos, um caiçara nos disse:

– Essa jaburanhas tem que ficar aqui! Elas livram a gente do tormento dos cariocas!

Características

Sedentárias, as jaburanhas constroem habitações de aspecto desordeiro, em quatro dimensões, formadas por fiações de bambu entrelaçadas e resistentes. Em cada casinha existe uma pequena elevação de terra onde, na época da procriação, as jaburanhas ficam agachadas para expelir os filhotes. Invadir a habitação de uma jaburanha é pedir por uma luta de morte.

Por isso, costumamos ficar bem longe, observando através de buracos no bambu, as suas refeições, que são feitas basicamente com filhotes de morcegos, baratas, pombos, pequenas mariposas e escaravelhos. Entre os inimigos naturais das jaburanhas estão as Bracilotas Indigo, sobre as quais nos debruçaremos em estudo posterior.

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