Os Grouchos Cearenses

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Veio a público a declaração de um cientista gabaritado. Ele trabalhou trinta anos na administração pública de Fortaleza. Passada de mão em mão em várias gestões, esta tocha olímpica da ciência revelou ter pesquisado na obscuridade, decidindo agora revelar à mídia um segredo guardado por muito tempo. Trata-se da descoberta dos Grouchos Cearenses.

O cientista contou que a descoberta de tais criaturas foi possível somente após o início da construção do metrô de Fortaleza, no começo deste século. “Ao cavarem, operários nada encontraram, mas quando começaram a construir a estrutura, os Grouchos Cearenses apareceram e devoraram tudo com suas bocas enormes”, disse.

O homem da ciência descreveu aquelas abominações: tamanho de um gato doméstico, pelos escuros, quatro patas, garras afiadíssimas, cabeças minúsculas lembrando a de tartarugas, expressão de tédio. Andam em agrupamentos de seis a sete criaturas, possuem bocas pequenas enquanto fechadas, mas que ganham proporções descomunais quando abertas a exibir as fileiras de dentes pontiagudos e prontos para cerrar. “A bocarra aumenta de uma forma que seria possível o bicho comer a si mesmo ao dar um mortal para trás”, ilustrou.

“Elas botaram os operários para correr”, explicou o pesquisador. Segundo ele, até mesmo os mais valentes, dispostos a acabar com as pestes, bateram retirada após perderem pedaços de mãos e pés no confronto.

O nome das criaturas foi dado pelo próprio cientista, pois as características mais marcantes eram os bigodes daqueles seres, que lhes davam caráter professoral. “Se usassem óculos redondos, poderiam ser facilmente confundidas com o Groucho Marx. Um herói da minha infância”, disse.

As obras do metrô precisaram ser interrompidas e, após uma longa reunião entre chefes de Estado, decidiram por construir em outro lugar. Porém, os Grouchos Cearenses não se fizeram de rogados: ali estavam também. Escondidos, tramando. Quando a estrutura subterrânea estava praticamente pronta, eles devoraram tudo novamente.

Não parecia haver saída para a situação, mas, após uma madrugada pesquisando, o cientista encontrou um xamã, que dizia ter feito desaparecer milhares de pequenas criaturas subterrâneas da Dragoslávia. O próprio cientista recepcionou-o no Aeroporto Pinto Martins e levou-o ao canteiro de obras.

De aparência excêntrica e centenária, o místico homem entrou nos subterrâneos, entoando cantos em língua desconhecida, além de salpicar gotas de um líquido malcheiroso (à venda em seu site por R$78,00). Ao sair, ele garantiu que os Grouchos Cearenses tinham voltado para o centro da terra, seu habitat natural.

O cientista encerrou dizendo que os políticos cearenses mereciam um pedido de desculpas por parte da população e da mídia, “esses inventores de chacotas e acusações”. Concluiu-se que os quinze anos de atraso na entrega do metrô não se tratavam de corrupção e tampouco uma questão de corpo mole, mas do combate a uma espécie perigosa e desconhecida, que insistia em travar o andamento das obras e poderia, até mesmo, apresentar extremo perigo ao povo de Fortaleza.

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